Programa aborda dificuldades no namoro de deficientes

13/04/2012 Histórias de vida, Notícias 1
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Publicidade da BBC sobre o programa

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Richard, 37, é um entusiasta do rádio amador que tem Asperger (Síndrome semelhante ao autismo, mas sem o atraso ou retardo cognitivo ou de linguagem dos autistas). Richard apenas aceita namorar alguém que more em um raio de oito quilômetros de distância. Luke, 23 anos, é um comediante que sofre da Síndrome de Tourette (desordem neurológica que provoca tiques, reações rápidas, espasmos ou vocalizações freqüentes). Ele tem uma vida social bem agitada e um bom grupo de amigos, porém tem pavor de se aproximar de uma garota e, inadvertidamente, chamá-la de vadia ou coisa pior. Como será o encontro de Luke com Lucy, uma recepcionista que nunca conheceu ninguém com Tourette?

Penny, professora de 23 anos, tem um problema genético que faz seus ossos serem extremamente frágeis. Ela nunca namorou e teme ser abandonada. Penny tem menos de um metro de altura e seu homem ideal é um policial com 1m83. Todos eles são personagens de um seriado da televisão britânica, atualmente no ar, chamado The Undateables (algo como “Os Inamoráveis” em tradução livre). A série aborda as dificuldades e desafios enfrentados por deficientes quando o assunto é namoro. Em diversos relatos, deficientes físicos e mentais contam sobre as barreiras que têm de superar para conquistar uma vida amorosa bem-sucedida.

Outro personagem é Adrian Higginbotham, 37 anos, que é cego, e fala das dificuldades no primeiro contato, o ponto de partida para qualquer relacionamento. “Você não pode entrar em uma sala de modo casual e dar aquela olhada. Você não pode sorrir para alguém que você já viu duas vezes anteriormente passando pela rua”, diz Adrian. The Undateables mostra que, apesar de muitos deficientes estarem casados e felizes ou não terem dificuldades para namorar, outros enfrentam uma gama variada de reações e, às vezes, atitudes estranhas, principalmente quando o par não sofre de deficiência.

É o caso de Lisa Jenkins, 38 anos, que relata sua experiência em um encontro com um amigo de um amigo que não sabia que ela tinha paralisia cerebral. “Nós entramos em um bar e ele imediatamente desceu os degraus diante de nós. Eu tentei descer, mas simplesmente não consegui. Não havia corrimão”, conta. Quando seu acompanhante perguntou se algo estava errado, Lisa teve de contar sobre sua deficiência. “Eu podia ver a mudança em seu rosto. Ele ficou instantaneamente menos atraído por mim”, diz.

“Eu já tive homens que se sentiam atraídos por mim, mas achavam que havia algo de errado com eles por isso”. Lisa Jenkins conta que já chegou a ouvir de um potencial pretendente que ele “sempre teve interesse por sexo bizarro”. Em uma sondagem feita em 2008 pelo jornal britânico The Observer, 70% dos entrevistados disseram que não fariam sexo com um deficiente.

Shannon Murray, uma modelo na casa dos 30 anos, há 20 se locomove em uma cadeira de rodas, e conta que, quando era adolescente, alguns rapazes lhe ofereciam uma bebida e, em seguida, perguntavam se ela ainda podia fazer sexo. Shannon também é fonte de outra abordagem do programa, os encontros pela internet e o dilema se o deficiente deve ou não revelar sua condição ou se deve esperar até conhecer melhor a pessoa. A modelo diz que já fez ambas. Em apenas uma ocasião, um pretendente resolveu abandonar a relação após descobrir que ela era deficiente.

Shannon diz que tentou também a abordagem oposta, colocando, em um site de relacionamentos comum, uma foto em que sua cadeira de rodas era bem visível e uma frase bem-humorada, dizendo que, se o interesse da pessoa era escalar o Monte Everest, ela não poderia ir junto, mas ficaria no campo base e tentaria manter a barraca aquecida. “Esperava que, revelando minha deficiência assim, no início, geraria menos interesse, mas acabei recebendo mais respostas do que quando escondia a cadeira. Fiquei entre as cinco mulheres que receberam mais atenção no site naquela semana”, conta.

O programa tem recebido muitas críticas por passar uma imagem preconceituosa e supostamente reforçar os estereótipos negativos de que pessoas com deficiência não conseguem se relacionar. As queixas se referem ao nome do programa e às campanhas de publicidade, que mostram fotografias dos protagonistas com dizerem como “o amor é cego, desfigurado, autista…”. Cerca de 20 queixas já foram registradas junto ao Advertising Standards Authority (ASA), organismo regulador de mídia do Reino Unido. O Channel 4, canal que veicula o programa, se defende e afirma que “tanto a campanha de marketing como o título do programa têm como objetivo desafiar os preconceitos sobre a deficiência e esperamos que toda a atenção em torno da série contribua para estimular o debate sobre alguns dos importantes temas que o programa aborda”.

O importante para Sem Barreiras, no entanto, é a discussão em si da sexualidade de pessoas com deficiência. Na contramão dos que pensam que a pessoa com deficiência é incapaz de se relacionar com sua sexualidade, o psicólogo e terapeuta sexual Paulo Tessarioli afirma que “quanto mais nos distanciarmos da idéia de que sexualidade se restringe ao sexo com penetração, mais próximos chegamos à vida sexual feliz e satisfatória”. Segundo ele, a mente é o nosso maior órgão sexual. Uma vida sexual ativa depende de uma mente que conceba a sexualidade como uma experiência positiva.

Em breve, Sem Barreiras trará matérias sobre a relação entre deficiência física e mental com sexualidade. Aguardem.

* A base dessa matéria foi retirada do site Deficiente Ciente

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1 Comentário

  1. Márcio 28/05/2013 Responder

    Tem um site legal para encontros de pessoas com deficiência, é http://chatmance.com

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