Paraplégicos e tetraplégicos descobrem novas formas de prazer

12/06/2012 Histórias de vida, Notícias 0
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Alinne Morais e Mateus Solano, na novela Viver a Vida

Alinne Morais e Mateus Solano, na novela Viver a Vida

A ex-modelo Luciana, personagem da atriz Alinne Moraes na novela Viver a Vida (foi ao ar pela TV Globo de 14 de setembro de 2009 a 14 de maio de 2010), deixou a profissão após sofrer um acidente que a deixou paraplégica. Depois de passar maus bocados para se acostumar a viver em uma cadeira de rodas, Luciana se redescobriu como mulher e viveu uma paixão intensa com Miguel (interpretado pelo ator Mateus Solano), o irmão gêmeo de seu ex-namorado.

O casal se casou e foi feliz para sempre, fazendo jus a todo bom final de novela. Apesar da história ser fictícia, segundo especialistas, pessoas com lesão medular podem ter relações afetivas, sexuais e mesmo ter filhos. Os tipos de lesão mais comuns na medula causam a tetraplegia, quando há lesão cervical ou torácica de alta intensidade, que compromete tronco, pernas e braços, ou a paraplegia, quando há perda dos movimentos do umbigo para baixo. As lesões da medula acontecem quando há ruptura alta (mais próxima à cabeça) ou baixa (do meio das costas à lombar) das vértebras da coluna cervical, que comprometem a motricidade e a sensibilidade destas partes do corpo.

Vida sexual deles
De acordo com a fisiatra Therezinha Rosane Chamlian, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a possibilidade de ter relações sexuais e de gerar uma criança depende do nível e do tipo de lesão sofrida. Nos paraplégicos, a possibilidade é maior, pois há preservação do tronco, dos braços e do abdome. Já entre os tetraplégicos, o desafio é maior e depende da sincronia do casal em descobrir novas formas de atingir o prazer. “O cadeirante pode ter ereção e ejaculação. No paraplégico há ereção de reflexo, ou seja, com efeito psicológico ou pela visão de uma foto. Pode também conseguir penetração e ejaculação. O que muda em relação aos não cadeirantes é que a ereção não dura muito”, afirmou Therezinha.

Segundo a médica, o homem lesionado consegue uma ejaculação de pequena quantidade e a qualidade do espermatozóide pode não ser muito boa em virtude das infecções urinárias comuns entre quem tem a lesão. Ele pode ter orgasmo se estimulado e tocado em outras regiões do corpo, pela estimulação dos mamilos, do pescoço, mesmo que não sinta a parte de baixo.

O uso de medicação para disfunção erétil pode ser indicado para prolongar a ereção, desde que o homem consulte um fisiatra e um urologista antes. Em alguns casos, pode ser indicada também a prótese peniana de silicone para que se mantenha o órgão em um tamanho que seja capaz de conseguir uma ereção. Ter filhos, então, torna-se a maior dificuldade de um lesionado pela baixa qualidade de seu sêmen, explica a fisiatra.

Prazer delas
A vida sexual da mulher paraplégica também é possível, desde que se tomem alguns cuidados após a fase chamada de choque medular, isto é, entre os dois, três primeiros meses após a lesão. Nesta fase, a mulher pára de menstruar por causa da perda de controle neuro-modular que, em vias gerais, age como uma desconexão entre o cérebro e o corpo porque o nervo está paralisado. Saída dessa fase, ela volta a menstruar e ovular, podendo engravidar. Portanto, o casal tem de avaliar essa possibilidade antes de começar a se relacionar sexualmente. “Se o casal pretende ter relação e não quiser que a mulher engravide, tem que usar preservativo ou fazer cirurgia, pois não se sabe se ela poderá usar anticoncepcional”.

A mulher lesionada pode gerar uma criança da mesma forma que uma mulher sem a deficiência e dar à luz sem grandes problemas. No entanto, os médicos pedem que seja realizado um pré-natal mais cuidadoso, pois os riscos de pressão alta e problemas vasculares aumentam. Passado estes pormenores, a relação com uma mulher lesionada pode ser prazerosa se o parceiro não lesionado for curioso o bastante para achar outros pontos, que não os genitais, pois estes tiveram sua sensibilidade perdida.

“Se ela for paraplégica, o parceiro pode estimular as mamas, o pescoço, o abdome e até realizar a penetração. Para isso, vale usar lubrificante. Mas, assim como mulheres não lesionadas, a cadeirante precisa de orientação médica, ou seja, consultar-se com um ginecologista regularmente para se prevenir contra doenças sexualmente transmissíveis e câncer de mama ou do cólo do útero”. Se há dúvidas sofre como se comportar sexualmente com um lesionado, os médicos orientam a consulta com um fisiatra.

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