Na ponta dos pés

16/07/2017 Autismo, Deficiência Mental, Notícias 0
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Você já reparou que muitas crianças com autismo andam na ponta dos pés? Às vezes parecem “flutuar” no chão.

Esse tipo de pisada, chamada marcha equina, é uma das desordens motoras que os autistas podem apresentar. Pelo que pesquisei e ouvi dos médicos, não há uma explicação para tal. O que se acredita (e eu concordo) é que essa pisada tem sua causa explicada dela desordem sensorial que acomete os autistas (essa desordem, superficialmente falando, é o jeito que o cérebro interpreta os estímulos externos).

Mas, e aí, o que fazer? Vou falar sobre minha experiência com meus dois garotinhos-mestres.

O primeiro a apresentar essa pisada foi o Daniel. Desde pequeninho andava assim. Então tentamos reverter o quadro através de alongamento, fisioterapia, uso de órtese (tipo calha), uso de caneleira. Mas não teve jeito. Com o tempo, essa marcha fez com que o tendão de Aquiles das duas pernas encurtassem e ele não conseguia mais andar com os pés todo no chão.

Daniel sentia dor! Imagine-se usando salto alto o dia todo! Era essa a dor que ele sentia, assim eu penso. A única saída foi realizar uma cirurgia para alongar. Essa decisão foi difícil, porque a longo prazo não garante que ele volte a encurtar já que a “causa” não foi sanada. A decisão foi da família junto com os médicos que o acompanham: ortopedista, neurologista e pediatra. Pensamos principalmente nos efeitos a longo prazo já que toda a sua postura ficaria comprometida.

A cirurgia foi feita em fevereiro de 2015. E o pós-operatório foi punk, como costumo dizer. Daniel saiu do centro cirúrgico com duas “botas” de gesso. Houvera duas trocas de gesso sendo necessário centro cirúrgico e sedação novamente. No total foram 45 dias com as duas pernas imobilizadas, sendo os primeiros 15 sem colocar no chão, depois ele pode andar com o gesso. Com a retirada das botinhas iniciaram as sessões de fisioterapia.

Imaginem uma criança de 4 anos cheia de energia passar por isso? Pois ele passou e na maior tranquilidade! Foi um grande guerreiro! Hoje ele vai anualmente ao ortopedista para avaliação e faz Integração Sensorial. De vez em quando anda na ponta dos pés, mas quando é alertado logo posiciona-os adequadamente.

Com o tempo Gustavo, que raramente pisava assim, estava pisando. Não perdemos tempo. Pela avaliação do ortopedista, a melhor forma de prevenir um possível encurtamento seria a aplicação de Toxina Botulínica, o Botox.

Para quê? O Botox vai relaxar o músculo, a “batata-da-perna”, e ele não vai conseguir pisar na ponta dos pés. A toxina tem efeito de duração por seis meses, em média. Espera-se que durante esse período Gustavo “esqueça” esse comportamento e não pise mais assim.

Resolvemos apostar nessa técnica para fugir do encurtamento e, consequentemente, de uma futura cirurgia.

Realizamos o procedimento há um mês, no centro cirúrgico, com sedação. Foi tudo bem rápido e simples. No retorno ao ortopedista, o quadro está conforme o esperado. Prognóstico? Incerto. Pode ser necessária uma nova aplicação daqui a seis meses. Ou não. Por enquanto, estamos felizes e vivendo um dia de cada vez.

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* Legenda da foto:
Livro: Cadê a criança que estava aqui?
Autora: Tânia Dourado
Ilustração: Alexia Brasil
Nome do personagem: Pabita

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