O que você pode fazer para incluir as pessoas com SD na sociedade

16/09/2017 Deficiência Mental, João Eduardo, Notícias 0
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Hoje eu prometo mostrar o caminho das pedras, compartilhar com os queridos leitores algumas formas efetivas de contribuir com suas ações para realmente construir um mundo mais inclusivo. Não se trata de contribuição financeira, mas de atitudes. Escolhas do cotidiano.

Tenho contribuído com muito prazer para o site Sem Barreiras há mais de seis meses, uma agradável tarefa de compilar minhas experiências adquiridas nas últimas duas décadas sobre a realidade dos indivíduos com síndrome de Down, uma visão muito particular que engloba o microcosmo de Fortaleza e uma atenta visão para o resto do mundo. Caso você tenha interesse em conhecer um pouco mais, recomendo a leitura das colunas anteriores.

Eu destaco a importância de ler o conjunto das ponderações apresentadas no sentido de se criar o ambiente necessário para que o cidadão possa sair da cômoda e simples aprovação dos bons exemplos de inclusão e começar a tomar atitudes que causem impacto positivo no mundo em que vivemos. O que você pode fazer no seu cotidiano?

Um tema palpitante divulgado pela mídia internacional este mês abordou uma dessas ponderações interessantes, surgida de uma jovem de 18 anos que fez a seguinte pergunta para a poderosa chanceler alemã: “Sra. Merkel, a senhora é uma política, a senhora faz as leis. Nove em cada dez bebês com síndrome de Down não nascem na Alemanha. Eles são abortados. Um bebê com síndrome de Down pode ser abortado até poucos dias antes do nascimento. Por quê? Eu não quero ser abortada, eu quero ficar no mundo”, perguntou a jovem, chamada Natalie (que tem síndrome de Down). Leia mais aqui.

Não vou comentar especificamente este tema hoje, apenas trouxe o assunto à baila para reforçar a necessidade de todo cidadão adotar atitudes realmente inclusivas. E como você pode ajudar também? Veja dois exemplos. Pesquise Google: #sindrome de down curso de extensão; e depois # camara inclusiva ganha reforço. São dois exemplos de instituições que promovem ações inclusivas, abrindo suas portas para jovens com síndrome de Down: a Universidade Católica de Pernambuco e a Câmara dos Deputados, em Brasília.

Esses dirigentes fizeram a diferença, criaram oportunidades. São gestores inteligentes que foram sensibilizados pelos bons exemplos de inclusão e fizeram o mesmo em suas áreas de atuação. Qual seria o seu papel? Que tal pensar um pouco no assunto?

Na coluna anterior eu apresentei uma pequena parte do trabalho que o Governo do Estado do Ceará vem realizando na promoção de ações de capacitação profissional, com o apoio de algumas instituições que apóiam pessoas com deficiência intelectual. Também citei algumas dessas instituições, e preciso citar outras que fazem papel semelhante.

Uma delas é o Centro de Integração Psicossocial do Ceará, o CIPC, há mais de quarenta anos promovendo a inclusão na Praia do Futuro. Já foi conhecido como Bem-me-quer, e hoje desponta como uma das instituições que se reposiciona para melhorar a eficiência no ato de contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência.

O CIPC realiza atendimentos em diversas áreas da saúde, pelo SUS, gratuitamente, investindo em terapias que beneficiam centenas de pessoas que vivem no entorno da Praia do Futuro. São Terapeutas Ocupacionais, Fisioterapeutas, Psicólogos, Assistente Social, um leque de profissionais especializados que cumprem um papel fundamental na inclusão dessas pessoas na sociedade. Isso sem falar no serviço de AEE, o Atendimento Educacional Especializado. Eles investem na inclusão, na prática.

Pois o CIPC, a APAE – Fortaleza, o Recanto Psicopedagógico, a Associação dos Cegos do Ceará – ACEC, a Casa da Esperança e mais um monte de outras instituições e entidades envolvidas com a questão da PCD estão organizando a I Feira Inclusiva do Ceará, que acontecerá nas últimas quintas-feiras de 2017 na Praça da Paz, na Praia do Futuro.

A idéia é reunir as entidades que já fazem um trabalho reconhecido de inclusão social de pessoas com deficiência para gerar renda para essas pessoas e suas famílias. Apoiar novos empreendedores, pessoas com deficiência serão os novos empreendedores. Pessoas com potencial para gerar renda suficiente para o seu sustento e também o de sua família.

Imagine um local onde o pipoqueiro é surdo, e com a ajuda de um cartaz vende suas pipocas e ganha um bom dinheirinho. O massagista é cego, e desenvolveu um talento especial com suas mãos para recuperar estressadas colunas na cadeira de massagem. As crianças brincam no pula-pula, onde o atendente com síndrome de Down recebe as fichas e controla com rigor o tempo de permanência das crianças.

Esta iniciativa está sendo construída com o apoio do Laboratório de Inclusão da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social, a STDS, e de diversos outros órgãos do governo do Estado e da Prefeitura de Fortaleza. A iniciativa privada e o poder público juntando suas forças em torno de uma boa causa. A idéia é disponibilizar canais de comercialização para os produtos e serviços ofertados pelas pessoas com deficiência, entre elas a síndrome de Down.

Para incluir as pessoas com síndrome de Down na sociedade você pode começar reservando seus finais de tarde das quintas-feiras, e o destino será a Praça da Paz Dom Helder Câmara, a praça que fica no final da av. Santos Dumont. Antes ou depois do caranguejo tradicional das quintas, na Praia do Futuro, os cearenses e turistas deverão dar um pulo na I Feira Inclusiva do Ceará. Ali será a oportunidade de entrar em contato direto com esse público que apenas deseja uma oportunidade.

Conheça os talentos, converse com os profissionais das entidades participantes, veja os projetos de inclusão para alguns indivíduos, escolha a melhor forma de contribuir. Vale contribuir diretamente para a entidade que você preferir, mas investir individualmente em projetos de empreendedorismo de PCD também pode ser muito prazeroso.

Doe seu tempo, adquira produtos ou serviços produzidos por pessoas com deficiência, contrate alguns para sua empresa, marque um encontro com aquele velho amigo. Contribua para o sucesso da iniciativa, ajude a construção de um MUNDO PARA TODOS!

Na próxima coluna detalharemos um pouco mais as propostas inclusivas dessa iniciativa e indicaremos os caminhos que os interessados terão para apoiar os eventos.

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