Mulher em uma cadeira de rodas, sorrindo, com as mãos na cintura, usando um vestido vermelho com mangas brancas, uma faixa no peito escrito Bielorussia e uma tiara na cabeça

ONG polonesa realiza 1o concurso de Miss Mundo Cadeirante

07/11/2017 Deficiência Motora, Notícias 0
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Três mulheres em cadeiras de rodas, uma ao lado da outra, sorrindo e segurando ramos de rosas vermelhas. Ao fundo, várias mulheres em cadeiras de rodas

As três primeiras colocadas no Miss Mundo Cadeirante: a polonesa Adrianna Zawadzinska (à esq), Aleksandra Chichikova e a sulafricana Lebohang Monyatsi

Estamos acostumados a ler e pensar em beleza tendo como padrão um corpo esguio, magro, seios, bunda e coxas durinhas, nada de celulite, estrias ou gordurinhas aqui e ali. Quantas vezes não nos espantamos ao ver mulheres “fora de forma”, usando biquínis na praia, ou roupas curtas em shoppings? Quantas vezes não ouvimos alguém associar beleza à idade? Dois exemplos: tornou-se descortesia perguntar a idade e o peso de mulheres. Por quê? Porque eles são tabus. Agora, coloquemos essa mulher em uma cadeira de rodas. É possível vê-la como símbolo de beleza ou de atração sexual? A mulher deve perder sua vaidade, sua libido, simplesmente, porque se tornou deficiente pelo motivo que for? A ONG The Only One Foundation acha que não e organizou o 1o Concurso Miss Mundo Cadeirante, em Varsóvia, na Polônia, com o resultado sendo proclamado em 07 de outubro último. A vencedora foi a estudante de psicologia da Bielorússia, Aleksandra Chichikova, 23 anos (foto em destaque). A sulafricana Lebohang Monyatsi terminou em segundo lugar e a polonesa Adrianna Zawadzinska, em terceiro. Participaram 24 mulheres do mundo todo, incluindo a brasiliense Carla Maia.

Mais importante do que o resultado em si foi a proposta do Concurso. Segundo Kataryzna Wojtaszek-Ginalska, co-fundadora do concurso e presidente do júri, o objetivo principal é “mudar a imagem e a atitude das mulheres em cadeiras de rodas”. Além disso, mostrar a beleza das mulheres cadeirantes ao redor do mundo. Kataryzna afirma que a beleza não foi o mais importante do concurso. “É claro que a beleza conta, mas nossa preocupação principal foi a personalidade das garotas e suas atividades diárias”. As concorrentes se apresentaram em trajes típicos de seus países, em vestidos elegantes e em trajes noturnos. Dançaram no palco, controlando, elas próprias, suas cadeiras e, em um segundo momento, com a ajuda de parceiros. Por fim, contaram suas experiências pessoais e falaram dos desafios que enfrentam em uma cadeira de rodas. Previamente ao concurso Miss Mundo, a ONG The Only One Foundation já havia realizado quatro concursos de Miss Polônia Cadeirante.

Mulher loira, sorrindo, em uma cadeira de rodas, usando uma saia vermelha e blusa preta, pernas cruzadas, em uma área aberta. Ao fundo, pessoas caminhando e carros passando em uma rua

Brasileira Carla Maia, jornalista e paratleta, foi a representante do país no 1o concurso Miss Mundo Cadeirante

Aleksandra Chichikova – No site oficial do evento (acesse aqui), há uma pequena declaração da vencedora: “Meu nome é Aleksandra Chichikova e tenho 23 anos. Nasci em Minsk, na Bielorrússia. Atualmente, estou estudando psicologia e pedagogia social na universidade. Após a formatura, adoraria ajudar as pessoas que experimentaram dificuldades na vida, especialmente aquelas que, por algum motivo, se tornaram uma pessoa de cadeira de rodas. Estou convencida de que minha vida pode ilustrar que uma pessoa pode ser bem-sucedida, forte, orientada por objetivos, bonita e atraente, independentemente de como ela se move. Participando de inúmeros eventos públicos, gosto muito de ver as pessoas mudarem de ideia e atitudes em relação às pessoas com deficiência. Elas começam a ver uma pessoa igual e não alguém com deficiência. Essa é a razão pela qual todos os dias eu acordo com um pensamento: ‘O que mais posso alcançar hoje?'”

Carla Maia – O Brasil também teve seu espaço entre as melhores colocadas do concurso Miss Mundo Cadeirante. A brasiliense Carla Maia representou o país na grande final do dia 7 de outubro. Carla ficou tetraplégica aos 17 anos, mas com a ajuda dos esportes conseguiu melhorar. Como atleta, foi oito vezes campeã brasileira de tênis de mesa (classe II). Atualmente, é repórter da TV Brasil e já cobriu os Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012, e no Brasil em 2016.

 

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