Visão frontal de uma agência do Banco do Brasil, vazia, com a placa amarela e a logomarca e o nome Banco do Brasil, em azul, na parte superior.

BB de Alagoas é acusado de negar cadeira de rodas a homem com câncer

24/05/2018 Notícias 1
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Sem Barreiras foi procurado, nesta semana, pela amiga Solange Raupp Gurgel, filha do médico João Alberto Gurgel, fundador da Associação dos Deficientes Motores do Ceará (ADM-CE), com uma denúncia de “humilhação e falta de humanidade” sofrida por seu recém falecido marido Irapuam Medeiros Barros, em Alagoas. Segundo ela, o marido sofria de câncer nos ossos e, por essa razão, padecia de dores terríveis. Sempre que ia à Agência Mangabeiras Maceió, do Banco do Brasil daquela cidade, onde mantinha conta há anos, “ia se arrastando” e enfrentava grande dificuldade em ficar de pé. “Eu pedia a um funcionário que atendia nos caixas para nos emprestar sua cadeira para que o Irapuan se sentasse”, contou. Um dia, Solange procurou o gerente da agência e solicitou uma cadeira de rodas do Banco para o marido, ouvindo dele que era impossível, pois “cadeiras de rodas não faziam parte do enxoval do Banco”. Revoltada, após o falecimento do esposo, Solange retornou à agência e procurou o gerente. Comunicou da morte de Irapuam e afirmou que iria sacar todo o dinheiro da conta e levar para a Caixa Econômica Federal, pois o Banco do Brasil havia se mostrado “insensível e desumano”.

O ex-presidente da ADM-CE, Daniel Cordeiro, afirmou que o gerente foi “irônico” e que “toda repartição pública ou privada tem a obrigação de ter uma cadeira de rodas”. Já o presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ceará (CEDEF), Jacinto Araújo, confirmou a informação, afirmando que, apesar de haver leis municipais que obriguem estabelecimentos comerciais a fornecer cadeiras de rodas, “via de regra essa determinação não existe”. Ele complementou que alguns locais oferecem a cadeira para clientes com dificuldade de locomoção para uso dentro do estabelecimento. Quanto ao termo enxoval, utilizado pelo gerente do Banco, ele afirmou que “isso é novidade”. Segundo ele, o gerente deve tê-la utilizado “por falta de uma palavra mais adequada”. O blog procurou o Banco do Brasil no seu serviço de atendimento ao cliente na rede social Facebook e pediu explicações acerca da expressão “não faz parte do enxoval do Banco” e qual era o procedimento da empresa quanto ao fornecimento de cadeiras de rodas a clientes com mobilidade reduzida. Eles responderam: “Nesse caso, sugiro que vc (sic) peça ao cliente que foi à agência me procurar para que eu faça a apuração com as áreas envolvidas”. E mais nada. Fica o registro de mais um ato de insensibilidade contra uma pessoa com dificuldades físicas cometidas no nosso país e a indignação da família, especialmente, da esposa.

Lei Nº 16054 DE 29/06/2016

Publicado no DOE – CE em 1 jul 2016

Fica obrigatória a disponibilização de cadeiras de rodas para uso de pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida, no âmbito do Estado do Ceará.

O Governador do Estado do Ceará.

Faço saber que a Assembleia Legislativa decretou e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Ficam obrigados os estabelecimentos comerciais e outros locais com grande circulação ou concentração de pessoas, a disponibilizarem no mínimo 2 (duas) cadeiras de rodas para a utilização por pessoas portadoras de deficiência física ou mobilidade reduzida, no âmbito do Estado do Ceará.

Parágrafo único. Os estabelecimentos como shoppings centers, supermercados, hipermercados, bancos, funerárias, terminais de transportes públicos, restaurantes e, ainda, locais com grande circulação ou concentração de pessoas.

Art. 2º Esses locais deverão adaptar-se com instalação de rampas, elevadores e portas adequadas, para que pessoas portadoras de deficiência física e mobilidade reduzida consigam locomover-se sem constrangimentos e em segurança.

Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

PALÁCIO DA ABOLIÇÃO, DO GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ, em Fortaleza, 29 de junho de 2016.

Camilo Sobreira de Santana

GOVERNADOR DO ESTADO DO CEARÁ

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1 Comentário

  1. Célia Regina Vieira Bastos 28/05/2018 Responder

    Terrível Solange Raupp Gurgel mesmo eu levando cadeira, deficiência aparente, agência BB Estilo recebo senha pergunto se vai demorar muito dizem vamos ver prioridade e vejo muitos passarem! E caixa eletrônico baixo para cadeirante e baixa estatura nunca existe! Lamento muito que seu marido e vc passaram !Força amiga bjs ❤️

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