Foto horizontal de três mulheres cegas, uma ao lado da outra, sorrindo. Da esquerda para a direita: Dilma Andrade, Denise Santos e Teresinha Nascimento. Ao fundo, uma árvore e carros.

Documentário retrata a realidade de mulheres com deficiência visual

01/12/2018 Deficiência Visual, Notícias 0
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E quando um trabalho acadêmico, ultrapassa os muros da universidade e ganha notoriedade? Aconteceu com o documentário Mulheres de Visão (veja matéria aqui), que trabalha temáticas como a quebra dos tabus sobre a vida das pessoas com deficiências visuais. O curta-metragem participou de diversos festivais de cinema, como o Festival de Cinema Universitário da Bahia e levou o prêmio de melhor de direção. Para entender mais sobre o tema e conhecer a história das personagens, o Programão bateu um papo com a produção do filme.

Para a diretora Milena Rocha, o filme ter ganhado proporções tão grandes, foi uma surpresa. “Nós não imaginávamos tudo isso, fizemos por que essa ideia de fazer um documentário sobre as mulheres que faziam parte do movimento das mulheres cegas e com baixa visão já existia, de tentar estimular que essa identidade também se auto represente, que elas se movimentem para representar a sua própria história. Para ser uma referência, elas precisam se ouvir e se ver na mídia também e foi feito despretensiosamente”, declara.

Além de todo o sucesso de Mulheres de Visão, ele também é uma das primeiras produções piauienses totalmente acessível, com tecnologias assertivas como Libras, autodescrição, closed caption e legendas em inglês.

Milena conta ainda que para a realização do projeto, foi necessário dividir o filme em duas partes. “A gente fez uma entrevista em estúdio, e partir dessa entrevista, a gente grava a rotina delas, então ela e a cidade, ela e o trabalho, ela e a família. Nós vamos na intimidade, e a partir disso, faz uma montagem interpretativa, que é tentar misturar os conceitos de hibridismo, ou seja, você dirigir umas cenas e você não saber se é dirigido ou se ficou esperando até acontecer, é muito da magia de esperar a performance da própria vida”, destaca.

A estudante Denise Santos, a funcionária pública Dilma Andrade e a dona de casa Teresinha Nascimento são as personagens principais da trama. Denise, que é acadêmica de Serviço Social e possui cegueira conta como foi a experiência de participar do documentário. “A minha participação fala mais sobre a participação da mulher cega na sociedade, no sentido de sair do seu quadrado de dentro de casa. Então nós vamos nesse foco de superar todos os obstáculos, principalmente com relação a cidade, né?”, ressalta.

“No filme, a minha participação está relacionada ao ambiente de trabalho, eu mostro como a pessoa com deficiência se relaciona, sobretudo o filme mostra que nós temos algumas limitações, mas que nós temos capacidades, possibilidades. Para mim, ele é um marco, a satisfação maior é mostrar para as pessoas que nós estamos aqui, que temos capacidades tanto como vocês, com algumas limitações é claro, mas com várias possibilidades”, diz Dilma.

Já Teresinha, que faz parte da Associação dos Cegos, mostra o dia da dia da mulher cega. “Muita gente acha que a pessoa cega vive como ninguém, abandonada. Principalmente as mulheres cegas, algumas mais desenvolvidas, outras não, sempre procuram se cuidar e estão sempre cuidando de alguém. Eu por exemplo, me cuido e cuido da minha família. Muita gente tem até aquela penosidade em procurar nos ajudar, por que pra gente não é a pena, é procurar nos ajudar, nos pôr pra cima, assim como esse filme trouxe oportunidade da gente dizer o que sente e como vive verdadeiramente”, finaliza.

* Matéria do site GShow, no Portal G1 (clique aqui)
** Legenda da foto: Dilma Andrade, Denise Santos e Teresinha Nascimento estrelam o documentário Mulheres de Visão, da diretora Milena Rocha.

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