#pracegover: Arte horizontal, com cores branco e lilás, em degradê. No alto, à esquerda, a imagem horizontal da logomarca do site Caleidoscópio, com o nome escrito em preto por cima de um círculo azul. Ao lado, as palavras BATE-PAPO COM LEANDRA, em branco com sombra negra e a última palavra em lilás com sombra negra. Embaixo, a frase, em branco, A JORNALISTA E ESCRITORA QUE LUTA PARA EXISTIR. No rodapé, à esquerda, todo em branco, as palavras: LEANDRA MIGOTTO e, embaixo, JORNALISTA, CONSULTORA E PALESTRANTE EM INCLUSÃO E DIREITOS HUMANOS. Ao lado, no canto inferior direito, um círculo em degradê de lilás e branco e a foto do rosto de uma mulher sorrindo, ao centro.

Escritoras brasileiras com deficiência estão trancadas do lado de dentro?

07/05/2019 Deficiência Física, Histórias de vida, Leandra Migotto, Notícias 0
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Histórias
Tenho que contá-las
Vim pela palavra e para ela servirei
As palavras são meu ar
Tomei coragem de encontrar a minha alma refletida…
Nas palavras, nas histórias, nas pessoas…
Como conseguiremos viver em dois mundos?

Leandra está sentada em sua cadeira de rodas na frente de uma mesa com livros e um telão onde está escrito: Histórias de Vida - Narrativas Autobiográficas - Textos de Memórias. Atrás de mim está o intérprete de LIBRAS. Estão todos em uma sala com janelas ao fundo e paredes branca.

Leandra no evento Histórias de Vida – Narrativas Autobiográficas – Textos de Memórias

Eu, Leandra Migotto Certeza que escrevo desde os 9 anos de idade, sinto na pele a urgente necessidade de um LUGAR DE FALA DAS ESCRITORAS COM DEFICIÊNCIA. Pois, ainda hoje com 42 anos eu não conquistei um espaço no mundo literário. Acredito que seja porque as barreiras são muitas e precisam ser derrubadas imediatamente!

Quem de vocês conhece a escritora com deficiência visual Bartyra Soares que tomou posse na Academia Pernambucana de Letras em 2015? O primeiro livro de Bartyra, “Enigma” foi publicado em 1976, seguido por “Sombras consolidadas”, em 1980. A autora publicou, posteriormente, outras nove obras. Bartyra também tem poemas em diversas antologias, revistas e jornais. Como contista e poeta, já recebeu quinze prêmios literários!

Creio que vocês também não saibam que outra autora com deficiência visual, Lídia Maria Cardia lançou seu primeiro livro de poesias: “Apenas Um Minuto”, durante a abertura da 36ª Semana Literária & Feira do Livro do SESC SP em 2017? Sobre seu livro, ela diz que os poemas são baseados em personagens comuns à nossa sociedade: “nem todos os personagens sou eu, muitas vezes eu narro histórias sobre as mulheres, o que elas vivem, o que passam, os mendigos, as crianças, mãe solteira, os namorados”. E que seu processo criativo não espera hora nem lugar: “escrevo no ônibus rascunhando, nas madrugadas, se eu acordo com aquela intenção, levanto escrevendo e vejo o sol nascer”.

Outra importante jornalista que escreveu um livro e fez história, foi a saudosa Ana Beatriz Pierre Paiva. Junto com outros seis jovens com deficiência intelectual, publicou em 2011 a obra: “Mude o Seu Falar Que Eu Mudo Meu Ouvir”? Foi o primeiro livro sobre acessibilidade atitudinal escrito por jovens com deficiência intelectual no Brasil. Um grande marco lançado na sede da ONU – Organização das Nações Unidas, em Nova York, em versões em inglês e português.

Já a escritora e poetisa surda Emiliana Faria Rosa, doutora em linguística, mestra em educação e professora de Língua Brasileira de Sinais na UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, também contou sobre a experiência de escrever o seu livro de poesias “Borboletas Poéticas”, em 2018 no Programa Especial da TV Brasil. Ela ficou surda aos onze anos, e assim se define: “Sobre ser surda? Sim, sou surda. Bilíngue, ou seja, tenho duas línguas: a Libras (Língua Brasileira de Sinais) e o português. Sortuda, eu… Duas línguas para ser, viver, criar. O Português é a minha língua de escrita; a libras é minha língua de liberdade. E borboletas? Também. Eu aprendi a gostar quando percebi que sou, somos borboletas…” O livro de Emiliana apresenta três fases, que segundo a autora refletem o amadurecimento e florescimento poético; e cada pétala do casulo cai junto a uma nova fase de um novo poema.

E quem de vocês também sabe que a Biblioteca Braille Dorina Nowill, em Taguatinga (DF), lançou a primeira Academia Inclusiva de Autores Brasilienses? Ela foi fundada com o intuito de promover a obra literária de pessoas com deficiência visual no Brasil e no mundo. E as autoras lançaram em 2010 a obra: “Revelando Autores em Braille”, que traz um compilado de histórias e poemas escritos de forma inclusiva.

Kátia Iuriko Ito e Luciana Scotti (escritoras com deficiência física), Joana Belarmino (escritora com cegueira) são outras renomadas escritoras brasileiras que provavelmente você não sabia que existiam! Por qual motivo? Por que as mulheres com deficiência ainda são invisíveis aos olhos da sociedade, e as escritoras mais ainda!

Dentro dos próprios cursos, grupos ou clubes de escrita, elas são excluídas, por não conseguirem ter acesso aos locais das reuniões, (que em sua maioria possuem escadas), não têm intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (para pessoas com surdez e/ou com deficiência auditiva), ou escritos e impressos em Braille ou com áudio-descrição (para pessoas com cegueira e/ou deficiência visual), por exemplo, entre outros recursos de acessibilidade comunicacional e atitudinal.

Quando eu conheci o Clube de Escrita para Mulheres na internet, encontrei uma oportunidade de compartilhar meus tesouros literários com outras escritoras. E por isso, me inscrevi no edital da Coletiva Mamoreira, uma rede formada por um grupo de mulheres que se uniram com o objetivo de valorizar, promover e intermediar a literatura criada por escritoras por meio da preparação, da revisão e da elaboração de projetos gráficos.

Porém, eu fui a única escritora com deficiência física em uma seleção de mais de 15 autoras. Sendo que nenhuma escritora com deficiência visual, auditiva, intelectual ou múltipla sequer se inscreveu. Sinal de que existe um grande caminho a ser percorrido para conectar o mercado editorial, as editoras independentes com as autoras com e sem deficiência e suas produções literárias.

Um caminho para as escritoras com deficiência serem ouvidas!

Oficinas de Escrita Inclusivas podem ser um caminho interessante para promover cada vez mais a aproximação das escritoras, os centros culturais e as editoras. Falar sobre nossas Memórias de forma livre foi o que um grupo de pessoas com e sem deficiência fizeram dia 13 de abril no Centro de Cultura do Butantã em SP.

Naquela manhã foi possível exercitar o LUGAR DE FALA e compartilhar lembranças, seja por meio de textos escritos ou contados em Língua Portuguesa ou Língua Brasileira de Sinais. A atividade mediada por mim aconteceu através de dinâmicas de sensações, onde quem participou teve vendas nos olhos para sentir objetos e frutas; além de ouvir músicas e ver imagens.

Para que mais Oficinas de Escritas Inclusivas aconteçam é preciso que os portais e as redes sociais tenham recursos de acessibilidade virtual, como textos compatíveis com os sintetizadores de voz e descrição de todo o conteúdo publicado para que pessoas com cegueira, consigam ler. Além disso, também é necessário que os vídeos sejam publicados com legendas e janelas de Língua Brasileira de Sinais para que pessoas com surdez compreendam.

Junto com estes recursos, os espaços onde acontecem os encontros e eventos culturais e literários precisam ser totalmente acessíveis para pessoas que andam em cadeira de rodas ou tenham qualquer deficiência física e/ou mobilidade reduzida. Porém, para que isso ocorra todas as pessoas responsáveis por organizar estes encontros devem ter como premissa o conceito de Desenho Universal, e não apenas pensem no assunto quando uma escritora com deficiência se inscreve. Afinal, a verdadeira inclusão só acontece quando todas e todos conseguem ter acesso às informações, e aos locais com autonomia, segurança e conforto.

É necessário também permitir que as ESCRITORAS BRASILEIRAS COM DEFICIÊNCIA produzam, publiquem e sejam divulgadas! Só assim, elas não se sentirão mais TRANCADAS DO LADO DE DENTRO!

Mais informações:

https://www.sul21.com.br/opiniaopublica/2019/02/um-tiro-na-dignidade-dos-aposentados-por-henrique-fontana/
https://www.pstu.org.br/nao-caia-em-fake-news-reforma-da-previdencia-de-bolsonaro-prejudica-os-mais-pobres/

Pessoal, não esqueçam de conhecer a minha trajetória profissional em meus dois blogs: o Caleidosópiohttp://leandramigottocerteza.blogspot.com/ e o Fantasias Caleidoscópicashttp://fantasiascaleidoscopicas.blogspot.com/

Perfil profissionalhttp://www.linkedin.com/pub/leandra-migotto-certeza/41/121/a

Vídeos: TV UNESPhttps://youtu.be/-Nrr1kn-zWI

TV UNESP Programa Artefatohttps://www.youtube.com/watch?v=OtwnqFchqmY&t=8s

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