Oito pessoas posam para a câmera, lado a lado, sorrindo, segurando desenhos de uma árvore. Vestem roupas pretas de uma casa colorida com os dizeres, em branco: RESIDENCIAL TERAPÊUTICO VIVER.

Importância da moradia assistida para autistas severos

31/07/2019 Deficiência Intelectual, Notícias 0
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A moradia assistida é um tema bastante abordado por famílias de autistas moderados e severos. Isso acontece porque pais de indivíduos no espectro têm uma grande preocupação: quem vai cuidar do meu (minha) filho (a) quando eu não estiver mais aqui?

Muitos autistas nesta condição dependem integralmente de uma só pessoa. É ela quem o alimenta, ajuda a escovar os dentes, trocar de roupas, dá medicação, e auxilia nas tarefas mais simples. Essa “sobrecarga” traz, também, uma série de aflições em pensar em como será a vida do autista quanto esta pessoa falecer.

Diante disso, a moradia assistida é uma excelente opção. Pois garante que o autista terá um local para morar, além de participar de atividades, fazer terapias e ser cuidado por especialistas no TEA. Só tem um problema: não temos muitas casas de moradias assistidas no Brasil.

Como funciona a rotina em uma moradia assistida?

O jovem tem horário para acordar, tomar café e faz uma série de atividades e terapias durante o dia. O ambiente é familiar e lembra, de fato, uma casa. Os quartos têm camas, guarda-roupas e outros utensílios.

Foi nesse ambiente que Sara viveu por 13 anos. “Até os 10 anos, ela não tomava medicamento nenhum, nem para febre, gripe, essas coisas. Sempre demos homeopatia, mas na adolescência tivemos muitos problemas”, explica a mãe dela, Ophelia Rocha.

A moradia assistida em que ela viveu parte da vida fica em Araçoiaba da Serra (SP), bem perto da cidade da família, Sorocaba (SP). De acordo com Ophelia, além da comodidade, conforto e da rotina regrada que ajuda, o local oferece um período de férias programadas.

“Muita gente compara com hospitais psiquiátricos, mas não tem nada a ver. Eles têm vida social. Saem. Vão ao teatro, à pizzaria, comem restaurantes, desfilam no 7 de setembro etc”, pontua.


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Residencial Terapêutico Viver

Partindo da experiência própria, a família da Fernanda Ferreira se juntou a um grupo de pais de autistas e à uma clínica especializada em TEA para fundar o Residencial Terapêutico Viver (aqui). “Desde que eu era pequena, meus pais nunca jogaram em mim a responsabilidade de cuidar do Mateus quando eles morrerem. Pelo contrário, sempre tiveram o sonho de que ele tivesse a casa dele”, conta.

Por enquanto, a iniciativa privada depende do apoio e de doações de pessoas físicas, e ainda não oferece o serviço de moradia assistida em tempo integral. De acordo com Fernanda, que é presidente da ONG que dá suporte ao residencial, a parceria com a clínica já oferece um esquema de hotel, no qual os autistas passam o final de semana no local. “Uma vez por mês eles vêm, passam o fim de semana e fazem atividades, saem, vão ao teatro, ao cinema”, explica.

Casa

Atualmente, a ONG finaliza a compra de uma casa. “A ideia é que este local ofereça conforto, segurança e apoio dentro dessa casa. Já contamos com psicólogos, fonoaudiólogos, profissionais da educação física e também de musicoterapia. É importante que eles tenham essas atividades, mas também tenham espaço para descansar e ter toda parte de cuidados de higiene, alimentação e tudo que precisam”, pontua.

Ainda em fase de criação, o residencial terapêutico tem algumas regras para aceitar o indivíduo no espectro. Entre elas, ser maior de 18 anos, além disso, a pessoa precisa ser interditada devido à curatela. Ou seja, os membros da moradia assistida passam a cuidar daquela pessoa a partir do momento em que a família o “interna”.

Apesar do projeto estar funcionando de forma promissora, Fernanda alerta que é necessário que outras pessoas se unam com o mesmo objetivo. “Falta sensibilização da sociedade em relação à esta demanda. A gente tem lutado por isso da forma que é possível, mas estamos com o projeto de uma casa onde vão caber oito, no máximo dez, autistas. Mas quantos são os autistas que estão por aí? Quantos precisam de uma moradia assistida? A sociedade precisa saber quer essa causa existe e merece atenção”, finaliza.

* Matéria do Portal Singularidade (acesse aqui)

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