Sete meninas autistas vestindo collants azuis durante aula de balé, acompanhadas de mães e um professor.

Meninas autistas têm aulas de balé na Bahia

01/08/2019 Deficiência Intelectual, Notícias 0
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A primeira turma de balé do Brasil formada por alunas com Transtorno do Espectro Autista realizará uma apresentação para o público no dia 07 de agosto, a partir das 19 horas, no Teatro Ângela Oliveira, do Centro de Cultura Maestro Miro (CCMM), em Feira de Santana (BA). Será o encerramento da oficina Ballet Azul, que estava previsto para a última quinta-feira (25), mas foi adiado para a nova data. O Ballet Azul é uma das iniciativas do Governo do prefeito Colbert Martins Filho em prol das crianças diagnosticadas com autismo em Feira de Santana. Em breve o município contará com o Centro de Referência para o Tratamento do Autismo. A Prefeitura já oferece desde 2018, em parceria com o Instituto Família Azul, aulas de caratê para meninos com autismo, na Estação Cidadania – Cultura Jardim Acácia (antiga Praça do CEU).

Meninas, de 03 a 15 anos, com Transtorno do Espectro Autista, matriculadas no Programa Arte de Viver, formam uma das primeiras turmas de estudantes de balé que se tem notícia em toda Bahia. A decisão da Fundação Cultural Egberto Costa, que oferece as oficinas realizadas no Centro de Cultura Maestro Miro, tem como meta, entre outros fins, a socialização destas crianças, bem como viabilizar os seus desenvolvimentos e que elas busquem um percurso de vida considerado normal pela ciência. “Todos os dias, em Feira de Santana, três crianças são diagnosticadas com os diversos níveis do autismo. Mas rimos, brincamos, choramos. Temos força. Estes são espaços que melhorarão a vida destas crianças”, declara Cíntia de Souza, que preside o Instituto Família Azul.

Inicialmente, o núcleo experimental teve dez alunas. Mas, os planos são de expansão da quantidade, à medida em que os resultados das novas metodologias focadas nos autistas forem analisados. “Será uma colorida colcha de retalhos que será costurada aos poucos”, diz Adauto Silva, experiente professor de balé. Ele analisa que o projeto será desafiante, mesmo já trabalhado com crianças portadoras de síndrome de Down. “E o primeiro deles será a construção do vínculo com elas”. Ele destaca que não será uma turma inclusivista, visto que é uma turma exclusiva para este público. A superação vai estar presente no tablado em todas as aulas.

“E com suas metodologias específicas para estas crianças”, diz o professor. E complementa que uma equipe multissetorial vai atuar conjuntamente – nutricionista, terapeuta ocupacional, fonoaudióloga, assistente social, psicopedagoga e educador físico, mais musicoterapeuta, que vai elaborar músicas para mantê-las calmas. Adauto Silva disse que, há algum tempo, vem trabalhando no material pedagógico que será aplicado nas oficinas, com aulas temas. A primeira aconteceu depois do carnaval, chamada “Pombinha branca”. “Estamos estudando muito para saber como manter as crianças focadas nas aulas”.

A presidente do Instituto Família Azul conta que outro desafio para o professor é que, em meninas, o transtorno de espectro autista é mais severo do que em meninos. Daí, elas involuntariamente se movimentam se comparada a meninos. “Mas, esta é uma iniciativa das mais elogiáveis. O professor e a Fundação Cultural estão de parabéns porque esta pode ser uma janela para a independência delas e para melhorar a qualidade de vida”. Para a fonoaudióloga Daniela Pinheiro, dança e música farão diferenças nas vidas das crianças que participarão das oficinas. “A dança vai socializá-las e contribuir positivamente para seus desenvolvimentos”. Um grupo de 30 mães de autistas também se inscreveu em oficinas de dança. Para a professora Maristela Lima Matos, além de estarem trabalhando a autoestima, “aqui estamos realizando alguns sonhos de infância e adolescência”.

* Compilação de matérias dos sites Acorda Cidade (clique aqui) e Folha do Estado (clique aqui)

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