#pracegover: Arte horizontal, com cores branco e lilás, em degradê. No alto, à esquerda, a imagem horizontal da logomarca do site Caleidoscópio, com o nome escrito em preto por cima de um círculo azul. Ao lado, as palavras BATE-PAPO COM LEANDRA, em branco com sombra negra e a última palavra em lilás com sombra negra. Embaixo, a frase, em branco, A JORNALISTA E ESCRITORA QUE LUTA PARA EXISTIR. No rodapé, à esquerda, todo em branco, as palavras: LEANDRA MIGOTTO e, embaixo, JORNALISTA, CONSULTORA E PALESTRANTE EM INCLUSÃO E DIREITOS HUMANOS. Ao lado, no canto inferior direito, um círculo em degradê de lilás e branco e a foto do rosto de uma mulher sorrindo, ao centro.

Minha primeira reportagem

04/08/2019 Deficiência Motora, Depoimentos, Histórias de vida, Leandra Migotto, Notícias 0
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Foto de Leandra sentada em uma cadeira de rodas. Ela está com calça cinza, blusa branca e casaco preto.

Leandra Migotto durante sua reportagem

Leitoras e leitores, segue com exclusividade a continuação da publicação dos primeiros capítulos da autobiografia que estou escrevendo. Fiquem com gostinho de quero mais…

Em 1998, estava no terceiro ano da universidade. Tentei outra bolsa de estudos. Bati novamente na porta da coordenadora do setor de estágios. Mostrei o texto “Caleidoscópio” que foi publicado na revista voltada ao público de pessoas com deficiência e …

– Bom dia coordenadora! Como vai? Preciso continuar com a bolsa de estudos! Eu posso escrever em qualquer setor da faculdade em troca do desconto.
– Olha, neste momento não dá, querida. Mas continue investindo em sua carreira. Você escreve muito bem, li seu texto.
– Mas não tem algum serviço que eu possa fazer?
– Você sabe que a Anhembi Morumbi firmou uma parceria com a instituição mais conhecida da cidade de São Paulo que trabalha na reabilitação de crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual?
– Puxa, que legal. Como funciona?
– Desde de 1995 abrimos as portas do laboratório de informática da faculdade para os alunos do curso do Centro de Preparação para o Trabalho da instituição estudarem junto com os alunos de baixa renda sem deficiência da comunidade parto daqui.
– Que interessante! Vou escrever uma reportagem sobre isso agora!
– Calma, primeiro você precisa conhecer o projeto… Escreva se quiser, mas eu não posso te dar a bolsa agora…

Sai de lá sem o desconto na mensalidade, mas com a porta aberta para realizar um grande sonho: escrever minha primeira reportagem.
Depois de anos atuando no mercado de trabalho constatei o abismo entre a teoria e a prática dentro desse recente ‘universo’ da inclusão dos profissionais com deficiência. Além, da gigantesca dificuldade da mídia em geral, segmentada ou aberta, em falar sobre o assunto e não promover de fato a inserção dos trabalhadores com deficiência em seus veículos. Mas isso é um tema que vocês irão conhecer melhor no decorrer deste livro, acompanhando a minha saga como jornalista.

A redação da revista
Antes de falar sobre como me aventurei pelo jornalismo, vou contar como foi a primeira visita à redação da revista em que eu tive meus dois textos publicados.
Telefonei para o número que estava na revista. O próprio editor atendeu:

– Alô! Quem fala?
– Sou uma leitora que admira muito sua revista… Posso trabalhar aí?
– Rárárá… Olha, bem que eu queria, mas só tem espaço para mim e minha esposa. A revista é feita na nossa casa mesmo.
– Tá, não tem problema. Semana que vem vou te visitar! Quero apresentar uma proposta irrecusável!


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Lembro que no dia da visita eu estava bem nervosa. Fui toda maquiada e com a minha melhor roupa. Minha mãe me levou de carro, como sempre fez durante todas as primeiras atividades, antes de eu perder o medo de sair sozinha de táxi pelas ruas da cidade.

Quando cheguei à casa onde a revista era feita, levei um susto: havia degraus bem na entrada! Pensei: “como uma revista que fala sobre inclusão, pode ser assim”… Mas, como diz o ditado: “em casa de ferreiro o espeto é de pau”.

– Olá! Muito prazer!
– Você consegue subir?
– Fica tranquilo… Estou quase no último degrau… Você pode segurar a minha bolsa, por favor?

Logo que entrei na sala da casa do editor, vi o tamanho da encrenca…

– A revista é feita lá em cima! Você consegue subir mais alguns degraus?
– É o jeito né?

Foram dois lances grandes de uma escada enviesada, com piso de madeira bem escorregadio. Detalhe: eu estava de salto alto. Quando cheguei no quarto que o editor chamava de escritório, mais um desafio: subir em uma cadeira bem alta para conseguir visualizar a tela do computador. Depois de quase cair, consegui. Foi quando tive tempo para olhar em volta…

– Onde estão os repórteres?
– Rárárá…Só temos uma colaboradora. E ela me passa os textos por e-mail.
– Esta jornalista tem alguma deficiência?
– Não. Mas minha esposa e eu temos um filho com deficiência intelectual. Minha esposa também é dentista.

Naquela tarde que passei ao lado do editor de uma das primeiras revistas de São Paulo, voltadas para o público com deficiência, percebi o quanto o processo de inclusão ainda caminhava e quantos degraus seria preciso subir para alcançarmos a visibilidade do potencial de profissionais de comunicação com deficiência.

Vivíamos uma época em que muitos dos projetos voltados para às pessoas com deficiência ainda estavam intimamente ligados às instituições, (que em sua grande maioria tinha uma visão extremamente assistencialista), ou ligadas às experiências de familiares dessas pessoas, o que era o caso desta revista.

Mas, lembro também da linha editorial inovadora da publicação, que vinha do envolvimento político e do ativismo social do editor em outros movimentos. Esse foi o lado que mais me apaixonou e despertou em mim a chama forte de luta por um mundo mais justo e solidário, em que todas as pessoas conseguissem mostrar o tamanho do seu potencial, independente de sua deficiência e condição social.

É claro que também fiquei encantada com a produção de uma revista de verdade! Nossa, como meus olhos brilharam quando vi as telas dos computadores com cada página da revista sendo diagramada. Quantas cores… Quantas imagens… Emocionante… Era isso o que eu sonhava em fazer: trabalhar em um lugar exatamente como esse, cheirando a criação!!!

Fechei os olhos e fiquei me imaginando ali, dando pitaco em tudo… E depois chegando a redação com a minha pastinha nas mãos, gravador e a máquina fotográfica. Trazendo notícias quentinhas dos vários eventos em que iria contar aos meninos e meninas colegas de trabalho; além de falar sobre as minhas aventuras, os fatos e as histórias que eu havia encontrado… Um novo mundo se abriu para mim, e como era bom sonhar…Mas o diretor jogou um balde de água fria quando disse…

– Menina, como te disse, a revista está passando por graves dificuldades financeiras. Não temos rabo preso com governos ou alguma instituição ou ONG.

Confesso que fiquei bem triste e preocupada, mas o que fez meus olhos brilharem foi saber que o sonho em criar uma publicação totalmente isenta de pressões políticas – ou visões retrógradas que colocavam às pessoas com deficiência como meros fins para se ganhar dinheiro – era o que sustentava cada palavra, foto ou imagem desta revista.

Pena que a publicação conseguiu ter uma vida curta, mas a qualidade de suas reportagens e o pioneirismo em isenção, marcaram a história da voltadas para esse público, como uma das mais conceituadas e inesquecíveis. Exatamente, como foi a minha primeira reportagem, publicada nas poucas três páginas em novembro de 1998.

Pessoal, não esqueçam de conhecer a minha trajetória profissional em meus dois blogs: o Caleidosópiohttp://leandramigottocerteza.blogspot.com/ e o Fantasias Caleidoscópicashttp://fantasiascaleidoscopicas.blogspot.com/

Perfil profissionalhttp://www.linkedin.com/pub/leandra-migotto-certeza/41/121/a

Vídeos: TV UNESPhttps://youtu.be/-Nrr1kn-zWI

TV UNESP Programa Artefatohttps://www.youtube.com/watch?v=OtwnqFchqmY&t=8s

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