Jovem Lígia Grillo ajoelhada atrás de uma mesa cheia de livros, segurando o livro A Vida de Ricardo. Ao fundo, duas mulheres conversam e sorriem.

TV Sem Barreiras entrevista Lígia Grillo

27/08/2019 Notícias 0
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Victor Vasconcelos, na cadeira de rodas, segurando o livro A Vida de Ricardo, ao lado de Lígia Grillo, com a caneca do blog Sem Barreiras nas mãos. Ao fundo, uma estudante com livros e DVDs e uma mesa do lado esquerdo.

Lígia Grillo posa com a caneca do blog Sem Barreiras após a entrevista que concedeu à TV Sem Barreiras.

A TV Sem Barreiras entrevistou, na última quinta-feira (22), a estudante do sexto período do Curso de Jornalismo da Unifor (Universidade de Fortaleza), Lígia Grillo, 19. Aos 10 anos de idade, Lígia escreveu o livro infantil A Vida de Ricardo (Editora Ludis, 2014), a relação de amizade entre um garoto, Ricardo, de nove anos, e seu cachorro Nilo. O cão logo se transformou no melhor amigo do menino e se tornaram inseparáveis. Certo dia, a escola marcou um passeio e avisou que os alunos poderiam levar seus melhores amigos e Ricardo, naturalmente, quis levar Nilo. Sua mãe procurou a direção da escola e obteve a autorização para que o animal acompanhasse seu filho. Durante o passeio, o ônibus sofreu um acidente e Ricardo escolheu colocar Nilo debaixo do banco, o local mais seguro do veículo, e permaneceu sentado. O ônibus bateu violentamente e Ricardo sofreu um choque terrível. Foi hospitalizado e perdeu os movimentos dos membros inferiores, ficando preso a uma cadeira de rodas. Ao acordar e ver sua mãe ao seu lado, preocupou-se em perguntar do amigo e ficou mais tranquilo quando soube que Nilo estava bem. Com o passar dos dias, Nilo e Ricardo retomaram a amizade e o cachorro passou a levar o menino e sua cadeira de rodas nos passeios pelo bairro onde moravam.

Ao ser perguntada quem eram Ricardo e Nilo, Lígia explicou que eram fictícios, que não existiam na vida real. “Eu não tinha muita criatividade para nomes quando era criança e usei o que havia perto de mim”, respondeu. Ricardo é o nome de seu padrinho e Nilo, de um amigo da infância. Vinda de uma família de professores, Lígia sempre foi incentivada a ler. Segundo ela, quem gosta de ler também gosta de escrever. “Eu preferia passar minhas tardes na infância escrevendo ao invés de brincando com minhas bonecas”, conta. Em 2014, quando tinha 14 anos de idade, durante a X Bienal Internacional do Livro, também realizada no Ceará, conheceu a futura dona da Editora Ludis, Lisa Magalhães, e passou em uma seleção, ganhando a possibilidade de publicar um livro. Então, escolheu a história de Ricardo dentre tantas que ela já havia escrito. Conceitos de diversidade e acessibilidade foram adquiridos graças à influência da família e do avô, que possui uma deficiência nas pernas. Em termos de aprendizado com a obra, Lígia afirma que são muitos. “Até hoje, posso dizer que o livro tem influência”, falou. “Escolhi algumas disciplinas na faculdade por causa do livro e também tive a oportunidade de ser convidada para participar da Bienal [XII Bienal Internacional do Livro]”, completou, orgulhosa. Atualmente, A Vida de Ricardo pode ser adquirido pelo site Mercado Livre, aqui, ou diretamente com ela, ao preço de R$ 20. No entanto, Lígia explicou que a intenção inicial não era comercializá-lo. “Minha ideia era usá-lo como paradidático em escola pública, mas a editora era muito nova, havia muita burocracia, e não deu certo”, disse. O e-mail para contato com ela é ligiagrillo5@gmail.com.

A literatura não é a única atividade da jovem Lígia Grillo. Ela também pratica escotismo, há oito anos. “No movimento de escoteiros, nós estamos acostumados a lidar com as diferenças de qualquer âmbito”, afirma. “Somos ensinados a resolver qualquer situação e encarar com naturalidade coisas que não fazem parte da nossa vida diária”, diz. Ela explica que ainda não recebeu treinamentos específicos, pois ainda não é escotista, mas sim, pioneira. O movimento dos escoteiros possui quatro ramos distintos: Lobinho, crianças entre 6 e 10 anos, concentrando na socialização da criança; Escoteiro, atuando com jovens entre 11 e 14 anos e foco na criação e ampliação da autonomia, fundamentado na vida em equipe e no contato com a natureza; Pioneiro, entre 18 e 21 anos, trabalho no processo de integração do jovem com a sociedade, privilegiando a cidadania e auxiliando na construção de um mundo mais amplo. Após os 21 anos, qualquer pessoa pode ingressar como Escotista, auxiliando os jovens na realização de atividades ou como dirigente, realizando funções administrativas; e Sênior, concebido para atender às necessidades de desenvolvimento dos jovens de 15 a 17 anos, com ênfase no autoconhecimento, aceitação e aprimoramento das características pessoais. Leia mais aqui sobre pessoas com deficiência nos movimentos de escoteiros pelo Brasil afora.

Lígia sentada ao centro, com um microfone e um livro aberto na mão, contando histórias para dezenas de crianças sentadas no chão ao redor dela.

Lígia Grillo realiza uma contação de histórias para dezenas de crianças na XII Bienal Internacional do Livro.

A Vida de Ricardo levou sua autora à XII Bienal Internacional do Livro, realizada no Ceará entre os dias 16 e 25 de agosto. Lígia relatou que procurou sua editora, mas ficou sabendo que ela não participaria do evento. Então, buscou se informar nas redes sociais como poderia participar e viu uma postagem no Instagram, convidando escritores independentes a se inscrever e divulgar seu trabalho. Além disso, Lígia agradeceu à jornalista e professora da Unifor, Ana Quezado, pela oportunidade de lançar o livro no estande da Universidade, no dia 22, dia da entrevista à TV Sem Barreiras, às 11 horas, e realizar uma contação de histórias para dezenas de crianças. “Meu objetivo de ir à Bienal nunca foi comercial, mas sim divulgar meu trabalho e fazer as crianças conhecerem a história e aprenderem um pouco com ela”, afirmou. Na faculdade, Lígia citou um trabalho na disciplina de radiojornalismo, ministrada pela professora Ana Paula Farias, que produziu um audiolivro de A Vida de Ricardo. A equipe apresentou o trabalho na Expocom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação), em São Luiz (MA), em maio deste ano, e enviou o audiolivro para o Instituto dos Cegos do Ceará e outras instituições do Estado, tornando-o um livro paradidático para crianças com deficiência visual. “Todas as possibilidades de tornar o livro inclusivo, eu tento, todas as plataformas”, falou. Lígia é uma escritora compulsiva. Ela contou que, na véspera da entrevista, começou a escrever um livro infanto-juvenil e já está no quarto capítulo. “Eu digo isso de todos, mas este eu vou terminar e publicar”, garantiu.

Faltando um ano para se formar jornalista, Lígia ainda não sabe o que irá fazer. “Para ser muito honesta, o que eu gostaria mesmo é viver escrevendo livros, mas amo jornalismo e tenho certeza de que é a profissão certa para mim”, disse ela. Sua preferência é jornalismo de redação, pois não se vê na frente das câmeras televisivas. “Se surgir uma oportunidade, eu aprendo e topo, mas prefiro escrever”, afirmou.

TV Sem Barreiras – A TV Sem Barreiras é uma iniciativa do blog Sem Barreiras no Youtube. Ali, produzimos vídeos informativos de várias deficiências e entrevistas ao vivo. Até o final do ano, iremos expandir a programação da TV, com programação educativa, mais entrevistas de estúdio, via hangout e vídeos de personagens históricos com deficiência. Você pode conhecer o canal da TV Sem Barreiras no endereço www.youtube.com/blogsembarreiras e se inscrever.

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