No ambulatório do Instituto Jô Clemente, em São Paulo, uma mulher de costas para a câmera veste um jaleco branco. Ela olha para a tela de um computador onde está projetada a imagem de um exame cerebral.

Como agir se pessoas com deficiências severas forem infectadas

04/04/2020 Notícias 0
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Quem cuida de pessoas com deficiências severas, físicas ou intelectuais, precisa ficar alerta e fortalecer as medidas de prevenção ao coronavírus. Como não há informações abrangentes sobre o vírus, pessoas com condições genéticas ou neurológicas que tomam remédios específicos, têm restrições respiratórias ou dificuldades profundas de comunicação, precisam ser monitoradas com atenção redobrada.

Essa recomendação é voltada principalmente para quem tem sequelas graves provocadas por paralisia cerebral, Síndrome de Down, Transtorno do Espectro Autista (TEA), Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), Atrofia Muscular Espinhal (AME), Esclerose Múltipla (EM), distrofias musculares e outras semelhantes.

“Precisamos lembrar que existem vários tipos de deficiências. Nas deficiências intelectuais leves e moderadas, nossa maior preocupação é com pessoas que não mantêm cuidado diário consigo mesmas, que podem não captar as recomendações sobre higiene e limpeza, além das dificuldades em externar o que estão sentido”, afirma Caio Bruzaca, geneticista do ambulatório de diagnósticos do Instituto Jô Clemente (IJC).

“Quem está ao redor, quem cuida dessas pessoas com deficiência é que precisa perceber o que está acontecendo”, diz o especialista.

“A falta de ar é um dos principais sintomas do coronavírus. Para pessoas com deficiência intelectual grave ou profunda, para quem usa ventilador mecânico para respirar, foi traqueostomizada (orifício artificial criado cirurgicamente no pescoço ou na traqueia), os cuidados devem ser os mesmos prestados aos idosos”, explica o geneticista.

“Além disso, muitas pessoas com deficiência usam remédios específicos ou uma combinação de medicamentos, corticoides, redutores de imunidade, e isso pode agravar o quadro de quem foi infectado pelo coronavírus”, comenta.

Nesta segunda-feira, 16, autoridades internacionais de saúde fizeram um alerta sobre os reflexos do uso de anti-inflamatórios, como ibuprofeno e cortisona, em pessoas infectadas pelo coronavírus. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), destacou que o ibuprofeno deve ser evitado porque esse composto facilita a entrada do vírus nas células.

Correr para o hospital – De acordo com o especialista do IJC, se há suspeita de infecção pelo coronavírus em pessoas com deficiência severas, a melhor providência é procurar atendimento médico imediato. “Nesses casos, tem que correr para o hospital porque cada segundo é importante”, completa Caio Bruzaca.

A confirmação da presença do novo coronavírus em todos os continentes está causando preocupação sobre a capacidade de reação global à doença. O vírus que surgiu na China no fim do ano passado já chegou a mais de 120 países, registra mais de 142 mil infectados e 5 mil mortes, segundo a Organização Mundial da Saúde, que declarou a situação como pandemia.

O Brasil tem 200 casos confirmados que estão distribuídos por 14 Estados e o Distrito Federal, a maioria em São Paulo. Segundo o Ministério da Saúde, o País tem 1.915 casos suspeitos e 1.470 análises foram descartadas.

Nesta quinta-feira, 12, a pasta informou que vai dobrar o número de leitos para atender a demanda por conta da doença. O anúncio foi feito após o Estado revelar que o ministério criou apenas 10% de novos leitos no plano de combate ao novo coronavírus.

* Matéria de Luiz Alexandre Souza Ventura, do blog Vencer Limites, do Estadão (clique aqui)

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