Jovem de 28 anos, em pé, sorrindo, olhando para sua direita, com os braços abertos. Ela tem o braço esquerdo amputado na altura do antebraço. Atrás dela, uma parede com diversos recortes e um quadro, no canto direito da imagem, com um sol desenhado e as palavras O Caminho do Meio Liberta.

Frases que pessoas com deficiência cansaram de ouvir

15/08/2020 Notícias 0
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Mulher branca, ruiva, sentada em uma cama, sorrindo para a câmera. Ela não possui o antebraço esquerdo.

Mariana Torquato, que nasceu sem o antebraço esquerdo, não se sente bem-vinda em eventos feministas: “Alguns não são sequer acessíveis”.

Mariana Torquato tem 28 anos e faz sucesso na internet discutindo sobre um termo que pouca gente conhece (clique aqui). A palavra capacitismo, usada para se referir ao preconceito vivido por pessoas com deficiência, não consta no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e fica sublinhada de vermelho quando escrita no computador ou no celular, como se não existisse. “O termo é tão pouco divulgado que passei a maior parte da vida incomodada com atitudes preconceituosas sem nem imaginar que elas recebiam um nome”, relembra.

Em 2016, a jovem de Florianópolis (SC) começou a usar as redes sociais para falar das situações que mais lhe tiravam do sério enquanto pessoa com deficiência – e criou o canal ‘Vai Uma Mãozinha Aí?’, aqui, no YouTube. Hoje, ele é o maior do Brasil a falar sobre o assunto, com mais de 159 mil inscritos.

E foi colocando o dedo na ferida que seu público cresceu. “Fiquei surpresa quando vi o número de pessoas que me assistiam aumentando. Eu sabia que, na televisão, por exemplo, meu discurso nunca chegaria”, diz. “Nos programas e nas novelas, pessoas com deficiência só aparecem quando estão na função de emocionar. Somos colocados na TV principalmente para arrecadação de doações e nas paraolimpíadas, como grandes heróis”, afirma Mariana.

Impactos profundos

De pouco em pouco, este tipo de preconceito gruda na sociedade e gera não somente situações constrangedoras para quem tem algum tipo de deficiência, como também problemas no desenvolvimento de suas vidas, como ao se relacionar, aceitar o próprio corpo ou ingressar no mercado de trabalho.

“Eu, por exemplo, não tenho um dos braços. Dentro de um processo seletivo, as pessoas tendem a pensar que não consigo digitar rápido ou que demoro mais para executar tarefas simples”, aponta. Em outro cenário, sua habilidade de adaptação poderia ser vista como um diferencial, afinal, desde que nasceu, Mariana exerce a criatividade para criar seus próprios métodos.

Atualmente, ela usa seu espaço nas redes sociais para debater sobre pensamentos e ações que parecem normais, mas, na verdade, colaboram com a ideia de que pessoas com deficiência são necessariamente mais sofredoras ou incapazes do que as demais.

 

Arte horizontal com dois traços na cor laranja, um em cima e outro embaixo. No centro, também na cor laranja, os dizeres: Participe da Campanha Sócio Cidadão de Sem Barreiras. Na linha de baixo, as palavras Clique aqui, dentro de um retângulo verde, na cor branca com contorno laranja, e as palavras, na cor laranja, e saiba mais. A arte possui um link, ao ser clicado nela, para o endereço https://www.catarse.me/sociocidadao

 

A seguir, ela elenca algumas das frases mais comuns e ofensivas que são dirigidas às pessoas com deficiência e explica por que elas deveriam ser evitadas.

“Deus sabe o que faz” ou “Vou orar por você” – As frases estão carregadas da ideia de que a vida só poderia ser aproveitada pela pessoa se ela não fosse como é. O que, obviamente, não é verdade.

“Eu tenho um primo que também é deficiente, talvez você conheça ele” – Dizer algo do tipo transmite a ideia de que todas as pessoas com deficiência se conhecem e são um grupo excluído, que deve ficar à margem.

“Ele é seu irmão?” – Dificilmente, a sociedade consegue assimilar a ideia de que uma pessoa com deficiência pode namorar. Se o(a) companheiro(a) em questão for alguém sem deficiência, fica mais complicado ainda. Logo, é comum que, ao chegar nos lugares, os demais presumam que a companhia é alguém da família, mesmo não sendo. “Depois, quando descobrem que é seu namorado, ainda exaltam a atitude dele, como se fosse um grande sacrifício amar alguém com deficiência”, completa.

“Você faz o que muita gente não faz” – Pessoas com deficiência encontram seus próprios métodos de realizar atividades e incorporam eles ao dia a dia. Não faz sentido compará-las aos demais.

“Se você tiver um filho, ele vai nascer assim?” – Deficiências não passam, necessariamente, dos pais ou mães para seus filhos. Além disso, a pergunta é indelicada e invade a privacidade do outro.

“João sem braço”, “Não tenho perna para isso”, “A desculpa do aleijado é a muleta”, etc. – Mariana relembra que as expressões capacitistas estão incorporadas à nossa linguagem e são ofensivas. “Todos nós, em algum momento, já fomos capacitistas. É como o racismo: está tão impregnado na sociedade que permeia todos os espaços. A dica para não ser desrespeitoso é se lembrar de que pessoas com deficiência são, antes de mais nada, seres humanos. O que você está prestes a dizer seria ofensivo para outro humano? Se a resposta for sim, é melhor não tentar preencher o silêncio e, melhor: deixar o espaço aberto para que ele mesmo se expresse”.

* Matéria de Ana Bardella, do site Universa, do UOL (clique aqui)

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