Estimulando a pessoa com Síndrome de Down

29/04/2017 Colunistas, Deficiência Intelectual, João Eduardo, Notícias 0

O papel primordial dos pais é cuidar de seus filhos, venho insistindo neste ponto nas últimas colunas. Falamos da estimulação global (ou precoce, como também é conhecida) e da importância que os pais devem dar às suas rotinas, no sentido de conciliar o cuidado com o filho com SD com os demais cuidados inerentes ao ser humano. Os pais precisam estar atentos ao cuidado com suas relações afetivas e fraternas, com seu próprio desenvolvimento, com sua responsabilidade social, etc.

Agora precisamos detalhar um pouco mais esses cuidados e estímulos necessários nos primeiros anos de vida das pessoas com a síndrome de Down. E começo falando sobre a comunicação, essencial para o desenvolvimento do ser humano. A sugestão é simples: converse com seu bebê, desde os primeiros dias.

A conversa deve ocorrer em todos os momentos em que os pais ou cuidadores estiverem com a criança: no banho, ao trocar de roupa, nos passeios, durante a alimentação, etc. Não se preocupe com o nível de compreensão de suas mensagens, o fundamental é que ele sinta o processo de comunicação e comece a perceber sua importância. Nestas conversas é que se inicia o processo de aprendizado, na medida em que os pais vão nominando as partes do corpo, as cores, os animais, enfim, o mundo à sua volta.

Cuidado com o uso de diminutivos, sempre que possível prefira utilizar o nome correto dos objetos e das pessoas que fazem parte do universo do bebê. O “tatibitate”, frequentemente usado por alguns cuidadores e babás, distancia o indivíduo do aprendizado do significado correto das palavras. Aliás, este conselho serve também para o pai de adultos com SD, que insistem na infantilização eterna de seus filhos. Este tema seguramente será abordado em outra coluna.

O estímulo visual e tátil multiplica a velocidade de desenvolvimento dos bebês com SD, precisamos lembrar que estamos lidando com um indivíduo que tem uma maior lentidão nas conexões neurais, de sorte que o estímulo sensorial precisa acontecer em maior grau do que o aplicado aos demais indivíduos.

E falando em estímulo sensorial, não são poucos os profissionais que defendem os benefícios das massagens para um melhor desenvolvimento de nossos bebês, que normalmente apresentam uma hipotonia muscular, i.e., uma maior flacidez na musculatura, se é que podemos falar assim. Com minha filha adotamos uma massagem indiana conhecida como shantala, muito em voga naquela época. São movimentos simples, carinhosos, que estimulam o desenvolvimento da tonicidade deles. Sempre é importante buscar apoio de um especialista para evitar riscos à saúde do bebê e identificar o tipo de massagem mais adequada.

Outra boa dica é deixar brinquedos de cores e tamanhos diferentes ao alcance da vista do bebê, algo em torno de 20 cm, podem estar pendurados no berço, por exemplo. Os brinquedos de cores contrastantes também podem ser movimentados para que ele os acompanhe com os olhos, além de observá-los quando estiver deitado. Cuidado para não exagerar na quantidade de estímulos, o que pode dispersá-lo.

Um cuidado importante, lembrado por uma tia Pediatra que gentilmente me ajudou a revisar esta coluna, é substituir com frequência esses brinquedos, promover mudanças nesses estímulos, de forma que a criança possa constantemente receber novas informações que serão úteis para o seu processo de descoberta do mundo ao seu redor.

Explorar o universo sonoro também produz bons resultados, cantarolando ou emitindo sons que a criança pouco a pouco começa a tentar repetir. O adulto deverá observar a reação do bebê a cada tipo de som, seus movimentos corporais e faciais indicarão o que é do seu agrado. O uso de chocalhos e brinquedos sonoros também costuma atrair sua atenção. Muitos pais experientes recomendam também a musicoterapia, existem profissionais e sites especializados sobre este recurso.

Com o passar do tempo a complexidade das brincadeiras e estímulos deve ser ampliada, de forma a despertar sua curiosidade e atenção. Produzir sons fora do seu campo de visão, por exemplo, é um caminho interessante para que ele inicie o processo de reconhecer e buscar a origem dos diferentes sons.

Ainda nesta fase é importante a realização de passeios, sempre respeitando sua condição. Inicialmente em locais próximo à casa, antes das 9h, por tempos curtos. Não se esqueça de respeitar seus horários de descanso e de escolher lugares apropriados e saudáveis.

Seu filho já se movimenta e arrisca alguns passos? Teremos mais dicas na próxima coluna. Importante ressaltar que são dicas de um pai que sempre buscou observar e aprender com outros pais e profissionais experientes no assunto. Esta trajetória costuma ser a mais recomendável, consulte você também outras pessoas que possam contribuir com seu aprendizado. E fique à vontade para enviar suas dúvidas e sugestões, terei prazer em continuar aprendendo com vocês.

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